Bill Gates e a sua paróquia

O que Bill Gates da Microsoft, Mark Zuckerberg do Facebook e mais 5 bilionários de sucesso têm a ver com a sua paróquia?

Estar atento e com os ouvidos abertos para ouvir quem já seguiu o mesmo caminho e prosperou em seus projetos, deveria ser papel de todo líder, inclusive os religiosos. O site da revista “Inc.” extraiu lições de homens de negócios que se deram extremamente bem no mundo corporativo. Para ajudar na reflexão, fiz aqui um comparativo desses comportamentos empreendedores se eles fossem aplicados na gestão paroquial.

1) Tenha ‘clientes’ felizes Segundo Tej Kohli, que fez fortuna nos mercados de imóveis e software, a gestão da companhia como um todo é algo importante, mas o principal é deixar seus clientes felizes. “Nenhum planejamento é bom o suficiente se você não vender o bastante e não fidelizar quem compra o que você oferece”, diz.

Na sua paróquia: Não adianta ter tudo ‘arrumadinho’ na sua igreja se os fiéis ‘clientes’ não estiverem satisfeito e felizes o bastante para ‘comprarem’ seus produtos. Se você não fidelizar (sem trocadilhos) literalmente seus paroquianos eles vão deixar a sua igreja, basta ver a evasão de fiéis ocorridas nos últimos anos. Será que os evangélicos ‘vendem um produto’ de avangelização melhor do que os católicos? Ou os ‘clientes’ se sentem mais felizes naquelas igrejas? Se o ‘produto’ da Igreja Católica é melhor, então porque ‘vende menos’?

2) Valorize mais a falha que o sucesso “Nada contra celebrar o sucesso, mas é mais importante prestar atenção nas suas falhas”, afirma Bill Gates, fundador da Microsoft. Para ele, deve-se aprender com o erro. Assim, é possível errar menos e comemorar mais.

Na sua paróquia: Sim, a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro em julho de 2013 foi um sucesso como ‘produto de evangelização’. A ‘marca’ da Igreja Católica ficou em evidência e melhorou muito o seu “Brand”. Se pudesse ser vendida, teria sido a marca mais cara da história, superando até mesmo a Marca da Coca Cola. E daí?! O que daquele sucesso entrou definitivamente para a ‘conta’ da Igreja? Qual o legado que, verdadeiramente, ficará para os católicos? Agora, aqueles insucessos que temos todos os dias têm mais a nos ensinar. Você pode não concordar com os métodos da Teologia da Libertação, mas certamente ela tem muito a nos ensinar, mesmo naquilo que entendemos como ‘errado’. No universo da sua paróquia existem ‘fracassos’ que ensinam mais do que os sucessos. Você está aprendendo com eles ou continua tentando encontrar os culpados? A única forma de acertar é errando, e a única forma de errar é fazer.

3) Não há atalhos John Paul Getty, falecido magnata do petróleo, dizia que qualquer promessa de enriquecimento rápida é irreal ou ilícita. “Minha fórmula para o sucesso é acordar cedo e trabalhar muito. Somente isso.”

Na sua paróquia: Não existe fórmula mágica. É comum recebermos projetos – principalmente de leigos(as), que se apresentam como os ‘salvadores da pátria’ e nos fazem perguntar o porque não tivemos essa ideia antes? Quando alguém lhe apresentar um projeto que ‘não tem como dar errado’ e, se realizado, resolverá todos os seus problemas na paróquia, corra dele. Isso não é coisa de Deus! O evangelho nos ensina que o sucesso é construído passo-a-passo; trabalho após trabalho. Reflita: quantas vezes sua paróquia acreditou que aquele projeto daria certo? Deu?

4) Divirta-se Para Tony Hsieh, dono do e-commerce de vestuário Zappos, a diversão é essencial por um motivo simples: quando se perde o prazer em fazer o que gosta, o dinheiro não vale mais a pena. “Divirta-se. Tudo se torna mais agradável quando você tenta fazer mais do que engordar sua conta bancária.”

Na sua paróquia: “Eu vim para que todos tenham vida” (Jo 10,10). Ninguém tem vida sem que esteja feliz. E não estou falando da ‘felicidade’ comprada da mídia. Falo da vida abundante sob a luz do Evangelho. As pessoas que estão nas suas equipes paroquiais estão felizes? Estão trabalhando para a construção do Reino ou apenas ‘comendo bolinhos’ nas reuniões das pastorais, como dizia dom Luciano Mendes. O ambiente de trabalho na igreja tem que proporcionar prazer e satisfação para as pessoas. Qual o percentual de paroquianos que assistem à Missa que frequenta as atividades pastorais da sua igreja? Sabe porquê isso acontece? Pense, você sabe a resposta!

5) Inove “Se você quer conquistar o sucesso, você deve explorar novos caminhos em vez de seguir uma trilha já desbravada por alguém” é uma das frases mais conhecida de John D. Rockefeller e serve como contraponto ao modelo de copycat – a replicação de um mesmo conceito em vários países–, bastante comum atualmente.

Na sua paróquia: Acredite: o mundo está mudando rapidamente também para a Igreja Católica. E isso inclui a sua paróquia. Aquilo que você faz há décadas porque sempre ‘deu certo’ pode estar com os dias contados ou já estar ultrapassado há anos. Evangeliz-AÇÃO rima com ação; ação demanda atitude e atitude exige renovação. E renovação tem ação no nome. Não tenha medo de errar. Se você fizer sempre a mesma coisa, sua paróquia terá sempre a ‘mesma coisa’. E isso é bom?

6) Arrisque Para Mark Zuckerberg, do Facebook, a prudência é um defeito. Quem não se arrisca, segundo ele, não tem recompensas. “O maior risco para um empreendedor é não arriscar. Em um mundo como o nosso, em que tudo muda rapidamente, só há uma garantia: quem não é arrojado fica para trás.”

Na sua paróquia: “Isso não passa do primeiro ano”, teria dito os donos do Orkut quando o Facebook surgiu. Alguém sabe me dizer o que aconteceu com o Orkut? Segundo a Associação Mundial do Comércio, organismo ligado à ONU (Organização das Nações Unidas), o empreendedor bem sucedido fracassa, em média, três vezes antes de alcançar seu sucesso. Corra riscos calculados, mas faça alguma coisa. Correr risco calculado nada mais é que utilizar a experiência da sua história aplicando o conhecimento adquirido em suas ações futuras. E a Igreja Católica é a instituição detentora da história do mundo ocidental. Se é que você ainda não sabe, foi a Igreja Católica quem inventou a contabilidade, o sistema de ensino e o hospitalar; o sistema bancário e as universidades. Até a cerveja foi criada por monges beneditinos e frades franciscanos. É sua obrigação como membro dessa instituição continuar o seu legado passando por todos os ‘novos tempo’. O que você e sua paróquia estão fazendo para isso? O quanto estão se arriscando? Pense nisso!

7) Tenha equilíbrio “Deve haver um balanço na vida. Um equilíbrio entre negócios, família e a oportunidade de aprender e ensinar.” As palavras são de Chuck Feeney, empreendedor octogenário que ganhou dinheiro com lojas de duty free. Em 1982, Feeney criou a The Atlantic Philanthropies, instituição que doou, desde que foi criada, mais de US$ 5 bilhões para causas humanitárias ao redor do mundo.

Na sua paróquia: Por fim e não menos importante, equilíbrio. Muitos empresários são criticados – principalmente pelo ‘povo de Deus’ por se dedicarem exclusivamente aos seus negócios, abandonando família, filhos e a própria vida pessoal. Pergunto: quantos na igreja fazem a mesma coisa? Sair em missão não significa abandonar a família e a si mesmo. E onde encontramos o equilíbrio? Ora, você já ouviu falar na Bíblia?

Por fim, recomendo a você que busque sempre se capacitar para gerir a igreja e suas pastorais. Estude sempre, lei livros e revistas e participe de congressos que agreguem conhecimento para o seu dia-a-dia. como o CONAGE – Congresso Nacional de Gestão Ecesial, o qual recomendo a todos os meus leitores: www.conage.com.br. Fique com Deus e obrigado por ler meu artigo. Se gostou, compartilhe. Se não gostou, deixe suas críticas abaixo.

Abraços fraternos!

Nota: Refletido e comentado sobre o artigo da revista Veja “7 lições de bilionários para quem quer conquistar o sucesso”

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