“É mais fácil um rico entrar no Reino de Deus do que um camelo passar pelo fundo de uma agulha”

Sim, você leu corretamente esse título. E sim, um rico também pode entrar no Reino de Deus!

Independente da interpretação que se dê a essa passagem do Evangelho de Marcos, de ser o camelo uma corda de amarrar barcos na época de Cristo, ou da agulha a que Jesus se refere ser o nome dado às pequenas portas de entradas em algumas cidades, o que impediria tanto a corda de entrar por uma agulha de costura como o camelo de passar sob essa porta, quero aqui refletir sobre essa Palavra literalmente como, creio eu, Jesus a proferiu: um camelo animal passar pelo buraco de uma agulha de costura. Mas por que Jesus usou o homem rico para ilustrar sua mensagem? Por que Ele não disse simplesmente ‘um homem’,’ uma pedra’ ou, por que não dizer, ‘um pobre’? Por que somente um rico teria dificuldades em entrar no Reino de Deus?

 

“É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus, E eles se admiravam ainda mais, dizendo entre si: Quem poderá, pois, salvar-se?” (Marcos 10.25)

 

Certamente não pretendo aqui inverter a fala de Jesus, mas ponderar sobre ela. Jesus não disse que um rico não estrará no Reino de Deus, mas que, por ser apossado, é mais difícil ele desapegar de seus bens para seguir Jesus. Na igreja, por vezes, o rico é associado de forma negativa à essa passagem, como se o fato de possuir bens materiais fosse um pecado. Ora, tudo não é dado por Deus? E tudo não deve ser dado para a Sua Glória? E quando o rico em questão é um empresário bem sucedido? Aí os preconceitos são ainda maiores com ele. O tempo todo precisará provar que seu dinheiro, simplesmente, não o faz um pecador. O pecado está no mau uso desse dinheiro e não em ganhá-lo honestamente.

Foi pensando nesse fiel empresário que está nascendo um movimento pastoral que busca acolher e atender esse (a) fiel empreendedor (a), rico ou não, que sofre preconceitos na sua paróquia. A Pastoral do Empreendedor, articulada pelos padres João Carlos Almeida (Pe. Joãozinho, SCJ) e Pe. Ernesto Rosa (Arquidiocese de São José do Rio Preto), e pelo Frei Rogério Soares (Arquidiocese de Salvador), busca acolher o fiel empreendedor.

Posso testemunhar que, como empreendedor e empresário, não me sinto bem acolhido pelas comunidades eclesiais que participo. Há sempre o preconceito de que, por ser um empresário, só penso ‘em dinheiro’. Ainda mais por ser eu um empresário que empreende negócios no segmento católico. Dizem que “uso a igreja para ganhar dinheiro”. Por que não dizem que uso a Igreja para dividir o dinheiro que ganho? Para cada centavo que ganho, garanto que beneficio a Igreja com pelo menos outros três. E faço isso com alegria pois sou feliz em poder trabalhar naquilo que gosto, com a minha Igreja e para a minha Igreja, e ainda poder construir minha vida material com o suor do meu trabalho.

Esse preconceito e essa má acolhida vem, quase que cem por cento, por parte dos leigos. Com raras exceções, sou sempre muito bem acolhido pelo clero e pelos religiosos. Mas, com os leigos, essa acolhida costuma mudar para melhor quando eles precisam de mim para ‘ajudar’ na paróquia. Ora, meu dinheiro não era ‘fruto do pecado’. Por que quando a comunidade precisa dele eu sou ‘bem tratado’ por ela?

Preste atenção na sua comunidade. Ali há empresários que querem participar e ajudar mais. Mas, por vezes, estão sendo muito mal acolhidos (e às vezes mal tratados). Dê a eles uma atenção especial. Eu escuto com frequência, empresários me dizerem que querem ajudar, participar e conviver na comunidade mas não encontram ambiente para isso. Todos são unanimes em dizer que ‘só são procurados quando a igreja precisa de alguma coisa deles, e sempre essa ‘coisa’ é o dinheiro. Você já viu algo assim na sua comunidade? Aposto que já! O fato de serem empresários não faz deles um servidor do dinheiro: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro.” (Mateus 6:24)

E o atendimento espiritual? Sim, é disso que estou falando! Considere que a esmagadora maioria de seus fiéis vai à igreja pedir graças por necessidades materiais. Por serem pobres financeiramente, precisam mais de coisas materiais e têm menos condições de prover alimento e saúde para si e para os seus. Logo, os ‘ricos’ têm necessidades espirituais mais evidenciadas – e urgentes, que as materiais; pelo menos essa é uma teoria que você deveria considerar.

Eu sou empreendedor e empresário católico por religião e por profissão e, mesmo que fique rico, entrarei no Reino de Deus se Ele assim me permitir.

 

“Mas, lembrem-se do Senhor, o seu Deus, pois é Ele que dá a vocês a capacidade de produzir riqueza, confirmando a aliança que jurou aos seus antepassados, conforme hoje se vê.” (Deuteronômio 8:18)

Se gostou desse meu artigo compartilhe com seus amigos, se não gostou, deixe suas críticas abaixo. Fique com Deus e um grande abraço.

Faça um comentário