Gestão é investimento e aprendizado contínuo

Os processos administrativos passam antes pelo ser humano, composto por mente, corpo e espírito

Podemos entender espiritualidade de diversas formas – muitas delas equivocadas – de comportamentos humanos. Segundo o dicionário Aurélio, espiritualidade é a qualidade do espírito… o progresso metódico e constante dos valores espirituais; e é por essa premissa que devemos nos empenhar para a motivação, também constante, das pessoas.

Outro dia vivi uma experiência interessante quando ministrei palestra para um grupo de vendedores de uma das maiores editoras católicas do Brasil que buscava motivar sua equipe de vendas; tudo sob conceitos de espiritualidade. Nada muito novo se tratamos de uma instituição católica; porém, recurso pouco utilizado mesmo nesse ambiente. Mais feliz fiquei – e sempre fico – quando ministrei outra palestra sob gestão e espiritualidade, dessa vez dirigida a executivos de empresas seculares, que têm no lucro seu objetivo maior. Também grandes corporações que atuam no mercado de capitais – empresas e grupos de investidores – estão treinando seus executivos e gerentes com temas voltados para a espiritualidade da pessoa.

Certa vez, em uma de minhas palestras, falei para mais de 500 executivos sobre conceitos cristãos aplicáveis na gestão de seus negócios. Entre católicos por cultura, praticantes e evangélicos, a esmagadora maioria dos ouvintes era de pessoas afastadas de suas crenças, ou sem nenhuma, mas interessadas em conhecer Jesus, pelo menos saber sobre seus princípios. Estes empresários também buscam mudar o modelo de gestão atual de suas empresas, que reduz as pessoas a meros indicativos de produção. Buscam ainda contribuir para uma sociedade mais humana e mais justa, baseada em princípios éticos.
Sempre digo que Jesus Cristo é exemplo para qualquer pessoa em todas as áreas de sua vida, inclusive e principalmente, para as áreas profissionais, considerando que na cultura em que vivemos somos obrigados a trabalhar quase que ininterruptamente. Jesus mostra, também, o equilíbrio sobre todas as coisas como razão e emoção, por exemplo.

E em verdade também vos digo: trabalhar a espiritualidade das pessoas também é investir na busca por melhores resultados individuais e em conjunto. Sentimentos como autossuficiência e o medo de mudanças, não criam um ambiente propício para que se trabalhe esta questão. Orgulho, ansiedade e vaidade também não!

Uma pessoa de espiritualidade sente-se responsável e sabe que pode mudar as coisas que atrapalham. É o “comandante de seu próprio destino” e, com fé, sempre realiza as mudanças necessárias. Foca seus objetivos e os da comunidade e dedica-se a conquistá-los. Aprende a gostar de si cada vez mais; assim passa a gostar mais das outras pessoas. Tem como meta cuidar melhor de si mesmo para melhor cuidar do próximo. Também reserva sempre em sua vida um espaço para aprender novidades; não se fecha em antigas ideias que só a limitarão. Abre-se para novos relacionamentos e vê em cada um deles novas possibilidades de aprendizado e crescimento, profissional e espiritual.

Esta pessoa também nunca se esquece de que seu comportamento influencia o comportamento de outras pessoas. É, ao mesmo tempo, emissora e receptora de carismas. Sabe que seu desempenho pessoal e profissional dependerá muito da sinergia que estabelecer com aqueles com quem se relaciona.
Em seu livro Gestão e Espiritualidade – Paulinas 2007 -, o autor, que também é Irmão Marista, diz que “lidar com o orgulho e a vaidade das pessoas é tocar no porão escuro da interioridade de cada um” e conclui que “vigiar e orar, são caminhos para não cair em tentação”.

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