Conheça os 7 erros clássicos cometidos por paróquias e comunidades na captação de recursos para seus projetos

As igrejas realizar captação de recursos para financiar seus projetos pastorais e sociais, porém nem sempre conseguem doadores devido a seus próprios erros de administração de projetos

Todo mundo sabe que as igrejas precisam de dinheiro para financiar seus projetos pastorais e sociais. Sem os doadores, paroquianos ou não, as paróquias e suas comunidades não conseguiriam desenvolver seus trabalhos e cumprir com a missão de evangelizar. Seja uma campanha específica, um show, uma quermesse ou as famosas “noites da pizza”, tudo é feito com o objetivo de realizar a cattação de recursos para os projetos pastorais nas comunidades. Contudo, é comum encontrarmos um elevado número desses eventos com resultados financeiros negativos, ou seja: ao contrário do objetivo traçado onde se pretendia conseguir recursos, ficam apenas os prejuízos. Mas por que isso acontece? Por que bons projetos que deveriam dar “lucro” para a igreja deixam dívidas nas comunidades?

Pode parecer muito simples, mas a resposta comum e mais frequente para essas questões é AMADORISMO. Isso mesmo: falta de profissionalismo! Certamente você deve estar se perguntando: “mas o trabalho nas igrejas deve ser voluntário e gratuito, como profissionalizar?” Sim! E não! Voluntário e gratuito devem ser nossas ações em prol da evangelização e suporte ao clero, assim como toda nossa vocação cristã, mesmo que como leigos e leigas.

Agora, quando nos prestamos a empreender ações em nossas comunidades que comprometem as finanças das paróquias, devemos ser profissionais ou contar com o auxílio de um. Como pode alguém que ‘mau paga’ suas contas pessoais, cuidar das finanças de um projeto paroquial?

“Qual é o rei que, pretendendo sair à guerra contra outro rei, primeiro não se assenta e pensa se com dez mil homens é capaz de enfrentar aquele que vem contra ele com vinte mil?”– Lucas 14:31

 

Os 7 erros mais comuns que arruínam os projetos nas igrejas

Então, por que cometemos tantos erros? Simples, não agimos com a prudência necessária nos 7 pontos vitais para o sucesso dos projetos: 

  1. Falta de Pesquisa de aceitação
  2. Equipe despreparada
  3. Planejamento focado no processo
  4. Orçamento sem análise de risco
  5. Endo Comunicação
  6. Falta de relacionamento
  7. Excesso de otimismo

Vamos analisar cada um desses 7 erros para que você entenda mais sobre os motivos que nos faz cometê-los. Mas antes, responda a seguinte pergunta: Quais dos 7 erros acima você identificou com seus projetos? Se a sua resposta foi 4 ou mais erros, repense muito antes de realizar seu projeto. Vamos aos erros:

ERRO #1 – Falta de pesquisa: você realiza pesquisa em sua comunidade para saber se seus projetos são realmente os que ela necessita? Muitos projetos realizados pelas igrejas no Brasil a fora acontecem simplesmente porque o líder responsável por ele, seja padre ou leigo, quer que aconteça. É na verdade um desejo pessoal e não uma demanda da comunidade. É comum copiarem projetos de sucesso de outras comunidades e tentarem reproduzi-los na região.

Quantas mini “Jornadas Mundiais da Juventude” não surgiram depois da JMJ Rio 2013? Quantas delas obtiveram sucesso? E quantas deixaram grandes prejuízos para as comunidades? Alguém perguntou para os membros da comunidade se eles queriam outra “Jornada”? Uma pesquisa não precisa ser feita com instrumentos metodologicamente complexos, basta uma rápida e coordenada consulta e já se tem uma visão mais clara daquilo que a comunidade deseja ou, no mínimo, do que ela realmente não precisa.

ERRO #2 – Equipe despreparada: Todo mundo quer ajudar. Mas quantos realmente podem compor a equipe executiva do projeto? Deus capacita os escolhidos por Ele, não os que nós escolhemos ou aqueles que somos obrigados a aceitar nos grupos. Para esses temos as escolas, faculdades e cursos técnicos para formá-los. O trabalho voluntário é sempre bem vindo, além de fazer parte do processo vocacional e pastoral do cristão. Contudo, para exercer funções técnicas e complexas nas comunidades é preciso preparo e competências específicas.

E é comum encontrarmos pessoas nos locais errados. Procure formar uma equipe com membros possuidores de conhecimentos diversificados. No futebol, um zagueiro não é bom para fazer gol e vice-versa. Assim, um técnico contábil é mais indicado para ser o gerente financeiro de seu projeto do que aquela professora catequista que, por mais assídua e praticante que seja, não entende nada de finanças. Mas certifique-se de que as pessoas realmente possuem as competências que dizem ter. Não é porque ele tem um perfil “bombando” no Facebook que ele é capaz de cuidar da Fanpage da paróquia. Comunicação também é coisa para profissionais.

 

ERRO #3 – Planejamento focado no processo: [Ou a inexistência de planejamento]. Quando um projeto é focado apenas no processo, ou seja, somente em sua operação e realização, esquece-se os resultados esperados. Se o projeto for para captar recursos para a realização de um segundo projeto pastoral, o objetivo primário é “ganhar dinheiro”. Se o foco da equipe for realizar tudo com perfeição conforme o desejado, corre-se o risco de fracassar no objetivo primário e piorar a situação deixando dívidas para a comunidade.

Para evitar que isso ocorra deve-se ter na equipe duas frentes de trabalhos: uma que cuide da captação de recursos e do orçamento, e outra que controle a execução e realização do projeto. Essa segunda deve saber que é a primeira quem sabe o que poderá ser gasto e “não adianta chorar para o padre”.

ERRO #4 – Orçamento sem análise de risco: Você já deve ter ouvido falar que “papel aceita tudo”. E isso é verdade absoluta quando projetamos algo! Com os nossos desejos em realizar o melhor possível para atender a demanda somos tentados – por nós mesmos, a vermos somente o que queremos ver. Por mais que façamos os orçamentos detalhadamente, isso é apenas a etapa do planejamento. Lúcio Costa, arquiteto e urbanista que trabalhou na construção de Brasília, dizia que “a única coisa certa no planejamento é que as coisas nunca ocorrem como planejadas”. E ele tinha razão!

O planejamento, embora extremamente importantíssimo [desculpe os superlativos]  é, como o nome diz, apenas um plano. No mundo dos negócios chamamos de “Business Plan”, é o plano do negócio e não o negócio realizado. Para evitar surpresas, analise os riscos que estão ocultos nas informações planejadas. Somente alguém com experiência poderá ler nas entrelinhas e descobrir o que o planejamento não mostrou e, assim, evitar surpresas desagradáveis.

ERRO #5 – Endo comunicação: “Endo” quer dizer “para dentro” e, para usar uma expressão “eclesiasticamente” correta, eu diria para dentro dos muros da igreja. O grande problema na comunicação das igrejas é que elas, na maioria das vezes, não conseguem falar para quem não as frequentam. Falam mais para os que estão dentro e já conhecem os temas. Além de focar em um público reduzido, utilizam-se de peças de comunicação com baixa qualidade, geralmente feitas por amadores que, na intenção de ajudar, acabam atrapalhando. Esse erro acontece principalmente porque não há planejamento estratégico também para a comunicação.

A pessoa sem técnica comunicacional fala para ela mesma que já conhece o “produto” e deixa de se posicionar como o interlocutor que receberá a informação desconhecida. Só tem uma maneira de evitar erros na comunicação: chame um profissional, mesmo que seja voluntário.

ERRO #6 – Falta de relacionamento: Quantas pessoas vão à sua igreja? Com quantas você se relaciona cotidianamente? Projetos acontecem primeiro dentro de nossas redes de contato. Amigos, familiares, vizinhos, colegas de trabalho e da igreja… São esses grupos de pessoas que se relacionam conosco diariamente que poderão fazer nossos projetos terem sucesso. Por mais que estejamos na era digital, o boca a boca é fundamental. O próprio Facebook nada mais é do que o “boca a boca virtual”. É a janela daquela casa de interior onde as pessoas passavam as tardes vigiando a vida alheia. E como está o Facebook da sua igreja? É utilizado corretamente? Para se evitar desperdícios e potencializar sua comunicação e, consequentemente, seus relacionamentos, o primeiro passo é ter e manter atualizado um banco de dados com muitos contatos. Você possui isso? Como?

ERRO #7 – Excesso de otimismo: Muito otimismo pouca cautela. É claro que ninguém vai empreender qualquer projeto se não acreditar nele. Contudo, acreditar em demasia nos deixa fragilizados diante das realidades ocultas no projeto. Quando queremos muito uma coisa, acreditamos que o “mundo é cor de rosas” e que não há riscos. Então relaxamos e colocamos nosso projeto em risco permanente.

Só existe uma maneira de se manter alerta: permanecer atento e monitorando as etapas dos projetos para corrigir o curso das coisas. Lembre-se que nada ocorre como o planejado, mesmo que o resultado seja melhor do que o esperado, as coisas mudam durante o processo e o excesso de otimismo é um ponto a ser combatido. Busque tudo o que você desejou, mas conquiste apenas aquilo que você pode arcar de todas as maneiras.

 

 

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